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Extracto da entrevista feita ao Presidente eleito
1. Como avalia as eleições ocorridas a 18 de Agosto
Elas foram boas e correspondem as nossas expectativas. Nós esperávamos uma boa votação e assim aconteceu. Repara, 68% do eleitorado procurou as assembleias de voto para exprimir a sua vontade e destes 93% votaram a favor. Portanto, considero-as bastante boas. Elas significam que os trabalhadores acreditaram no nosso programa de acção, mas também representam maiores responsabilidades para nós que devemos continuar a trabalhar por eles e procurar defender os seus direitos e não defraudá-los.
2. A percentagem de abstenção (32%) preocupa-o ou, considerando que havia uma lista única, fica dentro das suas expectativas
Não. A abstenção registada, deve-se fundamentalmente ao facto desta época do ano ser uma época das férias e penso que não teve nada a ver com a lista única. Basta ver que em várias instituições, houve 100% de votação dos presentes. Um número bastante expressivo de trabalhadores encontra-se neste momento de férias e fora do país. Isso pode ser facilmente confirmado. É só pedir estes dados às empresas.
Nós, estávamos conscientes desta situação, mas a razão da convocação das eleições nesta época tem a ver com o cumprimento dos estatutos. Os órgãos eleitos em 2003, já estavam no fim do mandato e por isso, tínhamos que realizar estas eleições, mesmo sabendo que o período não era ideal. Portanto, a abstenção registada, está dentro da margem que prevíamos, mas mais, se a compararmos com as taxas de abstenções registadas nas eleições anteriores em que concorreram duas listas e as eleições nacionais realizadas no país, nomeadamente legislativas, presidenciais e autárquicas e sobretudo se reparar que 93% dos votantes, votaram a SIM, ela é bastante boa.
Devo sublinhar que se trata duma experiência dum modelo interessante, que é praticado até ao momento, em Cabo Verde, apenas pelo meu sindicato (STIF) e eu considero-o bastante democrático.
3. A reeleição da sua lista é, do seu ponto de vista, a renovação da confiança na sua equipa ou os eleitores estão a dar-vos mais uma oportunidade
Toda gente que vota a favor duma lista, tem confiança no seu candidato e eu acho que a votação da forma como foi feita, 93% a favor, significa para mim um renovar da confiança, mas mais do que isso, significa que os trabalhadores valorizaram o trabalho feito no mandato anterior e acreditam na nossa capacidade de servir os trabalhadores e de cumprir o programa que apresentamos.
Realizamos no mês Abril passado, a Assembleia Geral e o Conselho Geral do STIF, fizemos um balanço do mandato e ficou demonstrado o bom trabalho feito e renovada confiança, através duma avaliação bastante positiva. Estas eleições, vem reforçar a avaliação positiva do trabalho feito e da seriedade da equipa que comigo trabalhamos.
4. Quais serão as principais medidas/políticas que a sua equipa levará a cabo neste novo mandato Qual será a primeira
Em termos de medidas de políticas, o programa de acção que apresentamos, espelha-as claramente, mas vamos neste mandato apostar nos seguintes domínios, pela seguinte ordem de prioridade:
a) Reforço e consolidação institucional e financeira da Organização, o que passa pela:
· Construção e/ou aquisição das Sedes da Praia e do Mindelo;
· Dinamização do funcionamento das Direcções Regionais e da intervenção dos Delegados sindicais;
b) Promoção da formação sindical e técnico Profissional, através de:
· Realização de estudos e consequente criação dum centro de Formação Sindical e Profissional;
c) Promoção o desenvolvimento e justiça no Sector Financeiro, através de
· Introdução de convenções colectivas de trabalho;
· Luta pela aprovação do novo código de trabalho
d) Reforço da cooperação internacional, Promoção do direito ao trabalho e segurança no emprego, da Segurança Social, da comunicação e informação, aumento do poder de compra dos trabalhadores, etc. etc.
5. O que é urgente ser feito a favor dos associados do STIF
· Introdução de convenções colectivas de trabalho no sector Bancário e Segurador;
· Melhoria da assistência aos associados na doença, o que passa pela negociação de cadernos que melhorem as prestações dos diversos sistemas de Previdência Social existentes;
· Criação de espaços de debates, intercâmbios e convívios, visando o desenvolvimento dum espírito de solidariedade entre os trabalhadores no activos e reformados etc.
· Promover a cultura da participação e maior engajamento dos trabalhadores em torno dos problemas que lhes afligem, etc.
6. Qual foi o relacionamento do STIF com as instituições financeiras no vosso mandato anterior E qual pretende ser a vossa postura para com essas mesmas instituições no actual mandato
Em termos genéricos, o relacionamento do STIF com as administrações das instituições do sector financeiro não tem conhecido problemas de maior, se atendermos que é caracterizado por um clima de diálogo, mesmo nos casos em que foi necessária a intervenção das instituições do trabalho para dirimir alguns conflitos, nomeadamente a Direcção Geral do Trabalho com vista a promover as negociações e o entendimento entre o Sindicato e as Administrações das instituições financeiras.
Pensamos que o STIF conseguiu conquistar mais respeito junto das instituições, fruto duma cultura de muito diálogo e de responsabilidade, mas também de demonstração de firmeza dos seus princípios e dum sindicalismo moderno, pró activo e hoje é um sindicato muito mais credível, capaz de dialogar num ambiente de respeito e de abertura com qualquer instituição.
7. Que reivindicações pretendem fazer junto dessas instituições neste corrente mandato
Para já, devo dizer que nos últimos tempos conseguimos negociar e acordar vários pacotes de benefícios e incentivos aos trabalhadores, mas continuamos com algumas reivindicações que tem a ver nomeadamente com:
· Redução e/ou Eliminação de contratos de trabalho a prazo no sector financeiro, sobretudo para postos de trabalho de carácter permanente;
· Melhoria das prestações do Sistema Privativo da Previdência dos Bancários e do sistema gerido pelo INPS;
· Participação do sindicato na definição de políticas para o sector financeiro;
· Harmonização das grelhas salariais, benefícios e incentivos sociais no sector bancário;
· Reajustamentos das pensões dos reformados em percentagens iguais ou superiores à taxa de inflação prevista;
· Fixação dum salário mínimo para o sector financeiro;
· Harmonização do horário de trabalho no sector financeiro, visto que temos horários diferenciados de uma instituição para outra;
· Introdução de convenções colectivas de trabalho para os Bancários e Seguradores, particularmente nas empresas onde não existe ainda qualquer instrumento de gestão de cargos, carreiras e salários (ex. BCN, COTACAMBIOS );
· Introdução de seguros de Vida e de saúde para os trabalhadores nas empresas onde a cobertura na doença, ainda é precária;
8. Agradou-o o envolvimento dos associados do STIF nas actividades sindicais ou ficou aquém do esperado Como pretende a sua equipa melhorar essa situação
O envolvimento dos associados nas actividades do sindicato, continua ainda aquém do desejado, apesar de alguma melhoria numa ou noutra instituição. A participação, dos trabalhadores sobretudo nas acções reivindicativas continua sendo fraca, em virtude de alguma intimidação por parte das chefias/administrações das instituições, mas também ela deve se ao facto de muitos trabalhadores terem contratos a prazo, o que lhes inibe na sua participação, sobretudo em acções reivindicativas, sob pena de perderem o emprego.
9. Quais os principais desafios que se impõem à sua equipa
Os desafios que impõem à minha equipa são fundamentalmente, de consolidação da organização, reforço da capacidade institucional e financeira, a defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores, etc.
10. Que mensagem deixa aos associados/eleitores do Stif, tanto aos que votaram como àqueles que não votaram nestas eleições
Gostaria, de agradecer a todos os associados pela confiança depositada em nós e prometer que tudo faremos para não lhes defraudar.
Mas também quero pedir a todos que assumam as suas responsabilidades e que mantenham firmes em torno do sindicato, sobretudo nos momentos de luta, pois que a direcção representa os trabalhadores mas não lhes substitui.
Temos a consciência que a missão que assumimos é muito espinhosa mas nobre ao mesmo tempo, se atendermos que defendemos valores humanos e sociais, o que nos encoraja a continuar a luta. A organização é um todo e procuraremos fazê-la funcionar como tal, actuando em sintonia com as vontades dos trabalhadores e no estrito respeito pelo mandato que nos for confiado.
Apelo a todos que estejamos sempre unidos, para que possamos fazer face a estratégia dos empregadores e vencer os desafios.